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26 de dezembro de 2025
Olivicultura de precisão

Foto em Unsplash
A olivicultura de precisão esteve em debate na 1.ª Conferência InovEnsino, onde foi discutida a sua inovação tecnológica, desafios e oportunidades.
O segundo painel da 1.ª Conferência InovEnsino, dedicado à olivicultura de precisão – aplicações e constrangimentos, reuniu investigadores, produtores, empresas de consultoria e indústria para debater o papel da inovação tecnológica na modernização do setor olivícola.
Deste modo, o painel contou com a participação de Francisco Mondragão Rodrigues, docente da Escola Superior de Biociências de Elvas, José Maria Falcão, responsável da Organização de Produtores Azeitonices, Lívia Pian, investigadora do SCOLAB, Helena Cavaco, diretora-geral da ML Consulting, Álvaro Labella, CEO da OlivoGestão, António Machado, diretor da Agromillora Portugal, Carlos Gabirro, CEO da Biostasia, e Henrique Chia, diretor-geral da Lagarices.
O papel da academia na inovação da olivicultura
Francisco Mondragão Rodrigues destacou o papel central da investigação académica na inovação da olivicultura, referindo que a Escola Superior de Biociências de Elvas tem desenvolvido, há cerca de 12 anos, investigação em colaboração com organizações de produtores e grandes olivicultores. Segundo o docente, a inovação é um fator determinante para aumentar a produtividade e a rentabilidade do setor.
Posto isto, o investigador salientou ainda o projeto DEMO4 inovOlive, um projeto de demonstração de inovação no olival, desenvolvido em parceria com organizações produtoras, cujo objetivo é transferir conhecimento técnico e científico produzido na academia para o setor produtivo.
Para Francisco Mondragão Rodrigues, a olivicultura é um dos setores mais recetivos à inovação, desde que os produtores tenham acesso ao conhecimento e percebam o seu funcionamento.
Produtividade georreferenciada continua a ser um desafio
José Maria Falcão, da OP Azeitonices, sublinhou que a evolução da olivicultura de precisão em Portugal não tem sido homogénea. Destacou a região do Alqueva como um exemplo de forte profissionalização, por ter iniciado a atividade já com base em novo conhecimento técnico.
Em contraste, referiu que regiões como Elvas, Campo Maior, Monforte e Fronteira, apesar da sua tradição olivícola, perderam parte do conhecimento anteriormente existente, estando agora a retomar a adoção de novas práticas. O responsável apontou a determinação e georreferenciação da produtividade como uma das principais limitações do setor, dificultando a interpretação correta dos dados recolhidos no campo.
Tecnologia, dados e eficiência no centro da discussão
Ao longo do debate, foi destacada a crescente adoção de equipamentos de campo e de laboratório. Francisco Mondragão Rodrigues deu como exemplo o Olive Scan 2, um equipamento que permite analisar azeitonas inteiras sem necessidade de moagem, já adotado por várias cooperativas.
Por sua vez, foi também referido o potencial dos atomizadores, não apenas na aplicação de tratamentos, mas também na recolha de dados sobre flores, frutos, peso e doenças, informação que pode ser rapidamente transmitida e integrada nos sistemas de gestão.
Conhecimento acessível e integração de dados
Lívia Pian, investigadora do SCOLAB, sublinhou o papel dos laboratórios colaborativos na ligação entre ciência e setor produtivo. Defendeu que a inovação tecnológica deve caminhar lado a lado com a democratização do conhecimento, tornando-o acessível em termos de compreensão, custo e transparência na partilha de dados.
A investigadora alertou para a existência de uma grande quantidade de dados e tecnologia disponível, mas destacou a necessidade de os integrar de forma funcional, permitindo que agricultores e técnicos possam aceder a informação consolidada para apoiar a tomada de decisão.
Consultoria e gestão integrada do olival
Helena Cavaco, diretora-geral da ML Consulting, salientou a importância da consultoria agrícola num setor onde os preços de mercado são impostos externamente e os custos de produção aumentam de forma contínua. Para a responsável, a eficiência deixou de ser apenas desejável e passou a ser indispensável, reforçando que os dados só são úteis quando corretamente interpretados e transformados em decisões eficazes.
Álvaro Labella, CEO da OlivoGestão, defendeu que falar de uma olivicultura de precisão plenamente implementada ainda é prematuro, considerando que o setor está apenas no início de uma revolução tecnológica que se irá intensificar nas próximas décadas. Referiu a evolução futura da maquinaria autónoma, sensores avançados e sistemas de gestão capazes de reduzir custos, colmatar a falta de mão de obra e aumentar a eficiência.
Portugal como referência internacional na olivicultura
Na sua intervenção, Álvaro Labella destacou a evolução da olivicultura portuguesa como um caso de sucesso internacional. Em cerca de 20 anos, Portugal passou de uma produção de aproximadamente 20 mil toneladas de azeite para um potencial superior a 200 mil toneladas.
Com mais de 90% da produção nacional classificada como azeite virgem extra, o responsável considera que Portugal reúne hoje alguns dos olivais mais evoluídos do mundo, tanto ao nível da produção como da indústria, afirmando que quem quiser conhecer a olivicultura mais avançada deve olhar para o caso português.
Fonte: Voz do Campo





