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29 de abril de 2026
Economia circular no pescado: transformar desperdício em valor

Foto em Unsplash
A economia circular no pescado está a ganhar cada vez mais relevância como resposta aos desafios ambientais e económicos do setor da aquacultura. Aquilo que durante anos foi tratado como desperdício começa agora a ser visto como uma oportunidade real de criar valor.
No processamento industrial do peixe, uma parte significativa da matéria-prima não chega ao consumidor final. Cabeças, vísceras, espinhas, peles e escamas representam uma fatia considerável do total e, durante muito tempo, tiveram um destino limitado. Hoje, com a economia circular no pescado, estes subprodutos estão a ser reaproveitados de forma inteligente e sustentável.
De resíduo a recurso
A mudança de perspetiva é clara: em vez de descartar, o objetivo passa por aproveitar ao máximo cada componente do peixe. A economia circular no pescado baseia-se precisamente nisso — utilizar melhor os recursos, reduzir desperdícios e criar novas oportunidades dentro da cadeia de valor.
Este modelo não só ajuda a diminuir o impacto ambiental da atividade aquícola, como também permite às empresas encontrar novas fontes de receita e tornar os processos mais eficientes.
Novas formas de valorização
Com o avanço da tecnologia, têm surgido várias soluções para dar uma nova vida a estes subprodutos. A economia circular no pescado tem permitido, por exemplo, transformar proteínas em compostos com propriedades funcionais, com aplicações na alimentação e na saúde.
Também a extração de colagénio e gelatina a partir de peles e espinhas tem ganho destaque, sobretudo em produtos alimentares e cosméticos. Ao mesmo tempo, a recuperação de óleos ricos em ómega-3 abre portas ao desenvolvimento de produtos com elevado valor nutricional.
Até componentes como os minerais presentes nas espinhas estão a ser aproveitados, mostrando como a economia circular no pescado consegue transformar praticamente tudo em algo útil.
Aplicações que vão além da alimentação
O impacto da economia circular no pescado não se limita à indústria alimentar. Os compostos obtidos a partir destes subprodutos estão também a ser utilizados na cosmética, na biomedicina e até na agricultura sustentável.
Além disso, parte do desperdício pode ser convertida em fertilizantes orgânicos ou energia, contribuindo para sistemas produtivos mais eficientes e com menor pegada ambiental.
Benefícios claros, mas com desafios
A economia circular no pescado traz vantagens evidentes, sobretudo na redução de resíduos e na valorização de recursos que antes eram ignorados. No entanto, a sua implementação ainda enfrenta alguns obstáculos.
A natureza dos subprodutos, muitas vezes perecíveis e com características variáveis, exige soluções técnicas eficazes. A isto juntam-se os custos de investimento, as exigências legais e a necessidade de conhecimento especializado.
Também a aceitação por parte do consumidor continua a ser um fator importante, exigindo comunicação clara e baseada em evidência.
Um caminho com futuro
O desenvolvimento de soluções mais integradas, como biorrefinarias aquícolas, aponta para um futuro em que a economia circular no pescado terá um papel ainda mais relevante. Estas abordagens permitem aproveitar diferentes componentes do peixe de forma sequencial, maximizando o valor gerado.
Com o apoio da inovação tecnológica e das políticas europeias, espera-se que este modelo continue a crescer e a consolidar-se nos próximos anos.
A economia circular no pescado mostra que o desperdício pode deixar de ser um problema para passar a ser uma oportunidade. Ao transformar subprodutos em novos produtos, o setor dá um passo importante rumo a um modelo mais sustentável, eficiente e preparado para o futuro.
Fonte: Revista Tecnoalimentar





