economia circular no pescado
Economia circular no pescado: transformar desperdício em valor
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Economia circular no pescado: transformar desperdício em valor

29 de abril de 2026

Soja de Portugal: modelo integrado e economia circular

Foto em Unsplash

A Soja de Portugal é hoje um dos nomes mais relevantes do setor agroalimentar nacional, com uma presença consolidada na nutrição animal, produção de carne de aves e valorização de subprodutos.

 Com sede em Ovar e mais de oito décadas de atividade, o grupo tem vindo a crescer de forma consistente, mantendo um foco claro naquilo que melhor sabe fazer.

No fundo, como resume o CEO António Isidoro, o negócio é simples: frangos e rações. Mas por trás dessa simplicidade está uma estrutura altamente organizada, onde todas as áreas se ligam entre si e funcionam de forma complementar.

Um modelo que liga toda a cadeia

Um dos grandes fatores de diferenciação da Soja de Portugal é precisamente o seu modelo integrado. Em vez de atuar apenas numa fase do processo, o grupo acompanha praticamente toda a cadeia de valor — desde a alimentação animal até ao abate, transformação e comercialização da carne.

Este controlo permite maior eficiência, mas também mais estabilidade, algo especialmente importante num setor exposto a tantas variáveis. Ao mesmo tempo, o grupo trabalha com produtores locais em regime de integração, fornecendo animais, ração e apoio técnico, enquanto os produtores asseguram a operação no terreno.

Crescer sem sair do foco

Apesar da evolução ao longo dos anos, a Soja de Portugal nunca perdeu o seu centro. Em vez de diversificar de forma dispersa, foi expandindo dentro do mesmo ecossistema.

É o caso da aquacultura, onde começou a apostar ainda no final dos anos 80, muito antes de se tornar um tema dominante. Mais tarde, avançou também para a alimentação de animais de companhia, uma área que tem vindo a ganhar peso e relevância.

Economia circular como parte do negócio

Outro ponto importante é a forma como a Soja de Portugal olha para os subprodutos. Aquilo que noutras operações poderia ser considerado desperdício é aqui reintegrado no processo produtivo.

Na prática, o grupo recolhe e transforma esses materiais em novas matérias-primas, fechando o ciclo e reduzindo perdas. Esta lógica de economia circular não é apenas complementar — já faz parte da base do negócio e orienta também novos projetos.

Sustentabilidade além do discurso

A sustentabilidade tem vindo a ganhar espaço na estratégia da Soja de Portugal, mas não apenas do ponto de vista ambiental.

Nas unidades industriais, por exemplo, tem havido uma substituição progressiva de combustíveis fósseis por biomassa. Ao mesmo tempo, a aposta em energia solar para autoconsumo já é uma realidade em algumas instalações, como em Ovar, onde uma parte relevante da eletricidade consumida é produzida internamente.

Ainda assim, o grupo defende uma visão mais ampla: sem sustentabilidade económica, não é possível garantir investimentos contínuos em soluções mais eficientes e ambientalmente responsáveis.

Um setor que resiste

O percurso recente mostra que o setor agroalimentar tem conseguido adaptar-se a diferentes contextos, desde crises financeiras a desafios sanitários e geopolíticos.

A Soja de Portugal acompanha essa leitura e reconhece a capacidade de resposta do setor, embora identifique também limitações, como a dimensão do mercado nacional, que obriga a escolhas estratégicas bem definidas.

Olhar para fora e investir no futuro

Com presença em dezenas de mercados internacionais, a Soja de Portugal tem vindo a reforçar a sua aposta na exportação, sobretudo nas áreas de aquacultura e pet food.

Ao mesmo tempo, continuam em curso vários investimentos, desde o aumento da capacidade produtiva até à modernização de unidades industriais. Um dos projetos em destaque é a construção de um novo matadouro na Trofa, que deverá reforçar a operação na área avícola.

Paralelamente, o grupo está também a desenvolver soluções mais inovadoras, como a produção de hidrolisados de aves, com o objetivo de criar produtos de maior valor a partir de subprodutos.

Fonte: Revista Voz do Campo