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31 de dezembro de 2025

Produção agrícola em Portugal em 2025

Foto em Unsplash

A produção agrícola em Portugal registou quebras generalizadas em 2025 devido a fenómenos meteorológicos, incêndios e pragas, segundo o Boletim do INE.

A produção agrícola em Portugal em 2025 foi fortemente condicionada por fenómenos meteorológicos adversos, incêndios rurais e problemas fitossanitários. De acordo com o Boletim Mensal da Agricultura e Pescas de outubro de 2025, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), registaram-se quebras significativas em várias culturas agrícolas no Continente.

Forragens: boas reservas, mas impactos dos incêndios

A produção forrageira foi excecional, permitindo a constituição de reservas significativas de feno, silagem e palha para o outono e inverno. No entanto, nas regiões mais afetadas pelos incêndios, sobretudo no Centro e Norte, verificaram-se destruições pontuais de pastagens e de alimentos conservados, obrigando ao reforço da suplementação alimentar.

Em simultâneo, iniciou-se a preparação dos solos para as sementeiras das culturas forrageiras de outono/inverno, aproveitando a humidade residual do solo e o início das primeiras chuvas.

Milho para grão com quebra de produtividade

A campanha do milho para grão de regadio decorreu num contexto exigente. As sementeiras tardias, os prejuízos causados por javalis e a presença de infestantes marcaram a cultura nas principais regiões produtoras.

Por sua vez, a produtividade deverá registar um decréscimo de cerca de 5% face à campanha anterior, apesar da disponibilidade de água de rega. A área cultivada manteve-se historicamente baixa, refletindo preços que não acompanharam o aumento dos custos de produção, condicionando a rentabilidade da cultura.

Kiwi com segundo ano consecutivo de baixa produtividade

Os pomares de kiwi apresentaram uma evolução heterogénea no desenvolvimento dos frutos. Ainda assim, prevê-se uma produtividade superior à de 2024 (+10%), embora 28% abaixo da média do último quinquénio, confirmando o segundo ano consecutivo de baixa produtividade.

Olival com ligeira quebra face à campanha anterior

A campanha oleícola teve início em outubro, com os lagares preparados para receber a azeitona. Prevê-se uma redução de 5% na produtividade, face à campanha anterior.

No Alentejo, as elevadas temperaturas durante o vingamento e a ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos afetaram os olivais. Em Trás-os-Montes, a redução resultou da precipitação e do frio registados durante a floração, agravados pelos incêndios que atingiram extensas áreas de olival.

Arroz confirma campanha regular

No que toca à colheita do arroz, a mesma iniciou-se de forma residual, refletindo atrasos nas sementeiras devido à dificuldade de mobilização dos solos. As searas apresentam povoamentos regulares e enchimento uniforme do grão, apesar da presença de infestantes.

Em alguns canteiros verificou-se acama provocada pela tempestade Gabrielle, sem impacto significativo. A produção deverá ser semelhante à de 2024 e 6% superior à média do último quinquénio, embora com qualidade inferior devido ao atraso das sementeiras.

Tomate para a indústria com redução de produção

A colheita do tomate para a indústria encontra-se praticamente concluída, prevendo-se uma redução de 15% na produção, associada à diminuição da área cultivada. Deste modo, decorreu sem constrangimentos de rega, com rendimentos próximos da média dos últimos cinco anos e parâmetros regulares de cor e grau Brix.

Maçã e pera abaixo do potencial produtivo

A produção de maçã ficou abaixo da de 2024 e do potencial produtivo. No Douro Sul registaram-se perdas significativas associadas a condições meteorológicas adversas na floração e a ataques de pedrado e bichado. No Oeste, o fogo bacteriano teve, pela primeira vez, um impacto considerável na produção.

Quanto à pera Rocha, esta apresentou uma produção semelhante à de 2024, mas novamente muito abaixo do potencial produtivo da região, pelo quarto ano consecutivo. As condições meteorológicas desfavoráveis e a elevada incidência de fogo bacteriano marcaram a campanha, com frutos de calibres baixos, embora com bons níveis de Brix e boas características organoléticas.

Laranja com a pior colheita da década

A campanha de citrinos registou reduções acentuadas, sobretudo nas variedades de laranja de meia estação, devido à elevada humidade e ao vento forte que provocaram a queda dos frutos. Nas variedades tardias, o decréscimo deverá rondar os 45%, prevendo-se uma quebra global de 40%, correspondendo à pior colheita da década. A menor oferta contribuiu, contudo, para a valorização dos preços ao produtor.

Amêndoa inverte tendência de crescimento

A produção de amêndoa deverá inverter a tendência de crescimento observada nos últimos cinco anos. No Alentejo, a irregularidade meteorológica durante a floração condicionou a polinização e provocou quedas de flores e frutos, bem como danos estruturais nos pomares.

Em Trás-os-Montes, registaram-se perdas significativas no Douro Superior (-40%) e na Terra Quente (-45%), devido às condições adversas e aos incêndios. Globalmente, estima-se um decréscimo de 5% face à campanha anterior.

A pior vindima desde 2011

A vindima terminou com uma quebra global de 20% face a 2024, confirmando-se como a pior da última década. As reduções mais acentuadas ocorreram no Alentejo e no Douro, devido a temperaturas elevadas, doenças da vinha e incêndios.

Apesar da menor produção, esperam-se vinhos de qualidade, com teores de açúcar equilibrados e boa concentração aromática.

 

Fonte: Revista Voz do Campo