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14 de janeiro de 2026

Acordo União Europeia Mercosul é aprovado após 25 anos de negociações

Foto em Unsplash

A União Europeia aprovou o acordo com o Mercosul após 25 anos. Conheça os impactos económicos, vantagens e críticas dos agricultores.

Após 25 anos de negociações marcadas por avanços e bloqueios, a União Europeia aprovou o acordo comercial com o Mercosul, dando origem a uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. O Acordo União Europeia Mercosul envolve mais de 700 milhões de consumidores e reforça significativamente os laços económicos e políticos entre os dois blocos.

O que prevê o Acordo União Europeia Mercosul?

O acordo contempla a redução ou eliminação gradual de tarifas alfandegárias, bem como a criação de regras comuns para o comércio de produtos agrícolas e industriais.

  • O Mercosul irá eliminar tarifas sobre 91% das exportações da União Europeia ao longo de 15 anos
  • A União Europeia eliminará tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul num período de 10 anos

 

União Europeia destaca ganhos estratégicos e económicos

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, sublinhou que o acordo é essencial para a “soberania e autonomia estratégica” da União Europeia, destacando que trará "benefícios reais para os consumidores e empresas europeias".

Também em Portugal, o primeiro-ministro Luís Montenegro e o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa saudaram a aprovação do acordo, considerando-o um passo fundamental para alargar os mercados de exportação das empresas europeias e reforçar as relações com a América Latina.

 

Agricultores europeus protestam contra o acordo

Apesar do apoio institucional, o Acordo União Europeia Mercosul continua a gerar forte contestação no setor agrícola. Agricultores de países como França, Itália, Polónia e Irlanda manifestaram-se nas ruas, com o protesto mais recente a acontecer esta terça-feira, com centenas de tratores a desfilar nas ruas de Paris.

Os protestos refletem receios quanto à concorrência de produtos agrícolas do Mercosul, produzidos sob normas ambientais e sanitárias consideradas menos exigentes.

 

Agricultores portugueses divididos sobre o Acordo UE-Mercosul

Confederação Nacional de Agricultores (CNA) critica impacto negativo no setor agrícola

Vítor Gonçalves, da CNA, considera o acordo “bastante desvantajoso para os pequenos e médios agricultores”, alertando para a compressão dos rendimentos e dificuldades acrescidas na fiscalização dos produtos importados.

Segundo o dirigente, países periféricos como Portugal poderão ser especialmente afetados, agravando problemas como o abandono da agricultura e o desequilíbrio da balança comercial.

Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP) apoia acordo com reservas

Já a CAP manifesta-se favorável à assinatura do acordo, destacando a importância dos mecanismos de defesa da produção europeia, como a possibilidade de suspensão de importações em caso de desequilíbrios de mercado.

Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (CONFAGRI) pede mais esclarecimentos

A CONFAGRI ainda não tomou uma posição final, apontando falta de esclarecimentos sobre a regulação e fiscalização. O secretário-geral, Nuno Serra, questiona se os países do Mercosul estarão sujeitos às mesmas exigências ambientais, sanitárias e sociais impostas aos produtores europeus.

 

O Acordo União Europeia Mercosul representa um marco histórico no comércio internacional, com potencial para impulsionar a economia europeia e fortalecer relações geopolíticas. No entanto, continua a levantar preocupações legítimas no setor agrícola, tornando essencial o acompanhamento rigoroso da sua implementação e dos mecanismos de proteção previstos.

 

Fontes: ECO Sapo, RTP, RTP, RTP, TSF