
Economia circular no setor agroalimentar: transformar custos em oportunidades sustentáveis

Economia circular no setor agroalimentar: transformar custos em oportunidades sustentáveis
13 de fevereiro de 2026
Os alimentos que se inovam reforçam a inovação alimentar em Portugal

Foto em Unsplash
Projetos cofinanciados pelo COMPETE 2030 impulsionam a inovação alimentar em Portugal com biotecnologia, valorização do medronho e micélio comestível.
A ciência, a biotecnologia e a valorização de recursos endógenos estão a transformar o setor agroalimentar e a reforçar a inovação alimentar em Portugal. A mais recente edição da newsletter dedicada ao tema “Os alimentos que se inovam” destaca três operações cofinanciadas pelo COMPETE 2030 que ilustram como o país está a apostar em soluções sustentáveis, funcionais e tecnologicamente avançadas.
Os projetos UNEDO4All, CellBlue e Myco2Feed apresentam abordagens distintas, mas partilham uma visão comum: promover a inovação alimentar em Portugal através da sustentabilidade, da investigação científica e do desenvolvimento de novos produtos alinhados com os desafios globais da nutrição e da preservação ambiental.
UNEDO4All valoriza o medronho com inovação e sustentabilidade
O projeto UNEDO4All – Valorização Integral do Medronho através da Inovação Tecnológica, Sustentabilidade e Desenvolvimento de Produtos Alimentares Funcionais – afirma-se como uma iniciativa estratégica para a inovação alimentar em Portugal.
Promovido pela Decorgel – Produtos Alimentares e cofinanciado pelo COMPETE 2030, o projeto aposta na valorização científica e tecnológica do medronho, um recurso endógeno com forte ligação ao território nacional.
Portugal é atualmente o maior produtor mundial de medronho, fruto reconhecido pelas suas propriedades nutricionais e funcionais. Contudo, a sua elevada perecibilidade tem limitado a utilização industrial. O UNEDO4All responde a esse desafio através do desenvolvimento de novas metodologias de conservação, processos sustentáveis de extração de compostos bioativos e aproveitamento integral do fruto e dos seus subprodutos.
Segundo Miguel Azevedo, Diretor de Inovação e Desenvolvimento da Decorgel, o projeto nasce da consciência de que existe “um potencial altamente subaproveitado na valorização do medronho”. A iniciativa pretende desbloquear esse potencial e contribuir para uma cadeia de valor mais sustentável, reforçando a inovação alimentar em Portugal.
CellBlue aposta na biotecnologia azul celular
Outra das operações em destaque é o CellBlue – Alimentos do Futuro através da Biotecnologia Azul Celular, promovido pela Cell4Food – Cellular Culture, SA.
O projeto posiciona-se na linha da frente da inovação alimentar em Portugal, ao desenvolver tecnologia nacional para a produção de biomassa de polvo a partir de células da espécie Octopus vulgaris. Esta abordagem permite dissociar a produção alimentar da exploração direta dos recursos marinhos, reduzindo a pressão sobre os ecossistemas.
De acordo com Vítor Verdelho, CEO da Cell4Food, o objetivo é posicionar Portugal como um ator relevante na biotecnologia azul europeia, criando soluções sustentáveis e alinhadas com a preservação ambiental.
O projeto integra um consórcio multidisciplinar e aposta na validação de aplicações alimentares, incluindo produtos híbridos que combinam biomassa celular e matrizes vegetais. Trata-se de um avanço que reforça a inovação alimentar em Portugal e contribui para novos modelos de produção alimentar.
Myco2Feed desenvolve micélio comestível para novos alimentos funcionais
O Myco2Feed é o terceiro projeto destacado e abre novas oportunidades na inovação alimentar em Portugal através da produção de micélio comestível.
Cofinanciado pelo COMPETE 2030, o projeto investe na biotecnologia microbiana para desenvolver ingredientes alternativos de elevado valor nutricional e menor impacto ambiental.
Segundo Andreia Afonso, sócia-fundadora da DEIFIL e Diretora de IDI, o objetivo foi inovar o setor alimentar através da produção de micélio comestível, criando soluções naturais, biológicas e sustentáveis.
O projeto combina microbiologia, ciência alimentar e engenharia de processos, garantindo qualidade e consistência ao longo da cadeia produtiva. Os ingredientes desenvolvidos apresentam forte potencial de aplicação em produtos prontos a consumir e em soluções alimentares funcionais, consolidando a inovação alimentar em Portugal.
COMPETE 2030 reforça competitividade e sustentabilidade
Os três projetos demonstram como o cofinanciamento do COMPETE 2030 é determinante para acelerar a investigação e o desenvolvimento no setor agroalimentar.
Ao apoiar iniciativas baseadas em ciência, tecnologia e sustentabilidade, o programa contribui diretamente para fortalecer a inovação alimentar em Portugal, promovendo competitividade, criação de valor e alinhamento com as exigências globais de transição ecológica e alimentar.
A convergência entre conhecimento científico, biotecnologia e valorização de recursos nacionais está a posicionar o país como um polo emergente na transformação do setor agroalimentar europeu.
Fontes: Compete 2030, Compete 2030, Compete 2030





