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11 de fevereiro de 2026
Economia circular no setor agroalimentar: transformar custos em oportunidades sustentáveis

Foto em Unsplash
A economia circular no setor agroalimentar permite reduzir desperdícios, valorizar subprodutos e aumentar a competitividade através de práticas regenerativas e eficientes.
O setor agroalimentar é essencial para a sobrevivência, saúde e identidade das sociedades. No entanto, enfrenta desafios ambientais, económicos e sociais cada vez mais exigentes. É neste contexto que a economia circular no setor agroalimentar surge como um modelo estratégico capaz de transformar custos operacionais em oportunidades de inovação, eficiência e regeneração.
Mais do que uma tendência, trata-se de uma mudança estrutural na forma como produzimos, distribuímos e consumimos alimentos.
Porque é urgente apostar na economia circular no setor agroalimentar
O setor agroalimentar está entre os mais poluentes e intensivos em recursos. Uma parte significativa das emissões de gases com efeito de estufa está associada à produção alimentar. Além disso, grandes quantidades de alimentos em perfeitas condições são desperdiçadas diariamente.
Ao mesmo tempo, práticas intensivas têm contribuído para:
- Degradação dos solos
- Perda de biodiversidade
- Desflorestação
- Uso excessivo de água e energia
Perante este cenário, a economia circular no setor agroalimentar propõe uma abordagem regenerativa. O objetivo é claro: produzir melhor, utilizar menos recursos virgens e garantir que nada é desperdiçado sem antes ser valorizado.
Os princípios da economia circular no setor agroalimentar
Este modelo baseia-se em três pilares fundamentais:
- Eliminar o desperdício e a poluição desde a origem
Os produtos e processos devem ser desenhados para minimizar resíduos e facilitar a reutilização de materiais.
- Manter produtos e materiais em circulação
Subprodutos deixam de ser vistos como lixo e passam a ser recursos com valor económico.
- Regenerar os sistemas naturais
A produção deve respeitar os ciclos da natureza e contribuir para restaurar ecossistemas.
Aplicar estes princípios na prática permite reduzir custos, aumentar a eficiência e reforçar a reputação das organizações.
Como transformar resíduos em valor
Um dos maiores potenciais da economia circular no setor agroalimentar está na valorização de subprodutos.
Em quase todos os processos produtivos são gerados resíduos orgânicos ou materiais descartados. No entanto, muitos desses materiais podem ser:
- Reintegrados na cadeia produtiva
- Convertidos em novos produtos
- Encaminhados para compostagem
- Transformados em novas matérias-primas
Ao fazer mais com os recursos já existentes, as empresas reduzem custos de eliminação, diminuem a dependência de matérias-primas virgens e criam novas fontes de receita.
Produção regenerativa e compras circulares
A transição começa na origem. A adoção de práticas regenerativas, como métodos de produção de baixo impacto ambiental, permite melhorar a saúde do solo e aumentar a resiliência do sistema produtivo.
Por outro lado, as compras circulares assumem um papel decisivo. Avaliar fornecedores com base em critérios como origem local, certificações e compromisso com a sustentabilidade reduz riscos e fortalece a cadeia de valor.
Além disto, privilegiar produtores locais contribui para reduzir emissões associadas ao transporte e reforçar a economia regional.
Embalagens, energia e água: áreas-chave de intervenção
A economia circular no setor agroalimentar também exige mudanças operacionais.
- Embalagens: Eliminar embalagens desnecessárias, apostar na reutilização e garantir materiais recicláveis ou compostáveis são medidas com impacto direto na redução de resíduos.
- Energia: A utilização de fontes renováveis e a melhoria da eficiência energética reduzem custos e dependência de combustíveis fósseis.
- Recursos hídricos: A captação de águas pluviais, a reutilização de águas residuais e sistemas de circuito fechado permitem poupanças significativas e maior sustentabilidade.
Estas ações não representam apenas responsabilidade ambiental. Representam também ganhos económicos concretos.
Logística, gestão de resíduos e parcerias
A otimização das rotas de distribuição, a partilha de transporte e a manutenção adequada de equipamentos reduzem emissões e despesas operacionais.
Ao mesmo tempo, uma gestão correta de resíduos sólidos e orgânicos pode gerar receitas adicionais, sobretudo quando existe separação adequada e encaminhamento para valorização.
Por fim, a colaboração entre empresas, fornecedores e comunidades é determinante. Muitas vezes, o excedente de uma organização é matéria-prima para outra. Criar sinergias acelera a transição e aumenta a competitividade.
Uma oportunidade estratégica para o futuro
A economia circular no setor agroalimentar não é apenas uma resposta ambiental. É uma estratégia de negócio.
Ao reduzir desperdícios, melhorar a eficiência dos recursos e reforçar a ligação ao território, as empresas tornam-se mais resilientes, inovadoras e preparadas para os desafios futuros.
Transformar custos em oportunidades exige planeamento, compromisso e visão de longo prazo. No entanto, os benefícios económicos, sociais e ambientais tornam esta transição não apenas desejável, mas inevitável.
A verdadeira mudança começa quando deixamos de ver resíduos como um problema e passamos a reconhecê-los como recursos com valor.
Fonte: Interreg





