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12 de março de 2026

Perceção do risco alimentar: o impacto nas escolhas do consumidor

Foto em Unsplash

Descubra como a perceção do risco alimentar influencia atitudes e decisões do consumidor. Entenda a diferença entre a avaliação científica e o medo do público sobre a segurança dos alimentos.

A perceção do risco alimentar tem um papel crucial na forma como os consumidores tomam decisões sobre o que comer. Tecnicamente, o risco alimentar é definido como a função da probabilidade de ocorrência de um efeito nocivo para a saúde e da gravidade desse efeito, resultante de um perigo. Porém, esta definição científica nem sempre reflete o comportamento real do consumidor.

Consumidores vs. especialistas

Enquanto os especialistas medem o risco principalmente pela probabilidade de ocorrência de efeitos nocivos, os consumidores tendem a focar-se na severidade das consequências. Um exemplo histórico em Portugal ilustra esta diferença: entre 1990 e 1997, o consumo de carne de bovino caiu de 24% para 18%, motivado pelo receio da doença de Creutzfeldt-Jakob. Embora a incidência global desta doença seja extremamente baixa — cerca de um caso por milhão de pessoas por ano —, o medo de um efeito fatal afetou diretamente os hábitos alimentares.

O que preocupa os consumidores

Estudos europeus revelam que os consumidores priorizam riscos diferentes dos especialistas. Entre os principais fatores de preocupação estão:

  • Aditivos alimentares, como corantes, conservantes e aromatizantes;
  • Resíduos de pesticidas nos alimentos;
  • Doenças transmitidas pelos animais;
  • Resíduos de antibióticos, hormonas ou esteroides na carne;
  • Microplásticos presentes nos alimentos.

Esta divergência evidencia que a perceção do risco alimentar é moldada por fatores emocionais e sociais, mais do que por dados científicos puros.

Fatores psicológicos que influenciam a perceção do risco

Segundo o psicólogo Paul Slovic, especialista em tomadas de decisão sob incerteza, três fatores afetam a perceção do risco alimentar:

  • Receio – sensações de falta de controlo, medo de consequências fatais ou catástrofes e preocupação com gerações futuras;
  • Desconhecimento – falta de informação clara sobre os riscos;
  • Número de pessoas expostas – quanto maior o público potencialmente afetado, maior a atenção ao risco.

O receio explica, por exemplo, porque muitas pessoas se sentem mais seguras ao cozinhar em casa: o controlo sobre a preparação reduz a sensação de perigo.

Implicações para o setor alimentar

Compreender a perceção do risco alimentar é essencial para produtores, retalhistas e autoridades. Estratégias de comunicação eficazes, transparência na origem dos alimentos e formação dos consumidores podem reduzir preocupações infundadas e orientar escolhas mais informadas, aumentando a confiança na segurança alimentar.

 

Fonte: Tecnoalimentar