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25 de fevereiro de 2026

Economia Circular na olivicultura reforça sustentabilidade

Foto em Unsplash

Economia Circular na olivicultura transforma caroços e bagaço de azeitona em fertilizante e biocombustível, reduzindo custos e promovendo sustentabilidade agrícola.

A Economia Circular na olivicultura está a ganhar terreno em Portugal, com exemplos concretos no território do Alqueva. Na Herdade da Figueirinha, os caroços e o bagaço de azeitona deixaram de ser um problema ambiental para se transformarem em recursos com valor agrícola e económico.

Posto isto, o projeto assenta na valorização integral dos subprodutos agrícolas e agroindustriais através de uma unidade de compostagem própria criada na exploração. Folhas de oliveira, massas vínicas, restos de poda, capoto de amêndoa e águas resultantes da laboração do lagar são integrados num processo que culmina na produção de composto orgânico aplicado novamente no solo.

De problema ambiental a solução sustentável

A iniciativa surgiu após uma visita técnica à herdade, onde foi identificado o desafio do destino do bagaço de azeitona. A preocupação, manifestada pelo produtor Filipe Cameirinha desde 2022, agravou-se com falhas nas extratoras no ano seguinte.

A resposta passou por desenvolver uma solução autónoma que permitisse fechar o ciclo produtivo do azeite. A Economia Circular na olivicultura tornou-se assim o eixo central do projeto, eliminando a dependência de unidades externas e promovendo a valorização local dos subprodutos.

Parceria entre produtores, academia e entidades

O desenvolvimento da Economia Circular na Herdade da Figueirinha envolveu um trabalho de articulação entre diferentes entidades, incluindo o Clube de Produtores Continente, a EDIA, a ACOS e investigadores da Universidade de Évora.

Foram realizados ensaios experimentais com diferentes combinações de excedentes agrícolas, definindo relações ideais entre carbono e azoto e monitorizando temperaturas e humidade para garantir a estabilidade do composto final. O fertilizante obtido foi posteriormente testado em solo e em ensaios de vaso para avaliar a sua viabilidade agronómica.

Por sua vez, a estratégia passou também pela criação de pequenas unidades “satélite” integradas nas explorações agrícolas, reduzindo transportes e promovendo soluções de proximidade.

Recuperação de solos e uso eficiente da água

A Economia Circular na olivicultura revelou-se uma resposta à degradação dos solos do território do Alqueva, onde décadas de agricultura não conservativa reduziram os níveis de matéria orgânica para valores inferiores a 1%.

Deste modo, a compostagem permite transformar subprodutos em fertilizante estabilizado, devolvendo nutrientes ao solo e melhorando a sua estrutura. Esta fertilização orgânica contribui ainda para uma utilização mais eficiente da água e dos nutrientes.

Neste sentido, a herdade integra igualmente tecnologias como rega gota-a-gota, sondas de humidade, estações meteorológicas e caudalímetros, permitindo poupanças de água entre 15% e 20%.

Modelo circular aplicado à olivicultura

Hoje, a exploração opera com base num modelo de Economia Circular na olivicultura:

  • O azeite representa cerca de 15% do volume da azeitona;
  • O caroço é reutilizado como biocombustível;
  • As águas residuais são reintegradas no sistema;
  • O bagaço seco é transformado em composto orgânico.

Este modelo permitiu reduzir em 50% ou mais o uso de adubos minerais, diminuir custos de fertilização e reforçar a sustentabilidade ambiental da exploração.

Além do impacto económico, o projeto contribui para uma olivicultura e viticultura mais regenerativas, promovendo a valorização de excedentes e a criação de emprego especializado.

O que durante anos foi considerado resíduo é agora matéria-prima. A Economia Circular mostra, assim, como a inovação agrícola pode transformar um entrave logístico numa oportunidade de regeneração do solo e de criação de valor.

 

Fonte: Revista Voz do Campo nº 300