
Europa acelera descarbonização e coloca as empresas na linha da frente

Europa acelera descarbonização e coloca as empresas na linha da frente
05 de maio de 2026
Economia circular em Portugal: resíduos tornam-se negócio

Foto em Adobe express
A economia circular em Portugal está a ganhar expressão em diferentes setores, à medida que cada vez mais empresas encontram formas de transformar resíduos em novos produtos e oportunidades de negócio.
O que antes era visto como desperdício começa agora a assumir um papel estratégico na criação de valor.
Da construção ao têxtil, passando pelo calçado, cerâmica ou indústria da pedra, multiplicam-se os exemplos de projetos que reaproveitam materiais descartados e os reintegram na cadeia produtiva.
Do entulho ao design
Um dos casos mais recentes surge na área da construção. Um projeto criado por dois arquitetos portugueses tem vindo a transformar resíduos como tijolos, telhas e cimento em materiais de revestimento e até peças de mobiliário.
Depois de começarem por incorporar estes materiais em projetos próprios, perceberam que o impacto só seria relevante se conseguissem trabalhar em maior escala. Desde então, já desviaram dezenas de toneladas de resíduos de aterro e estão a desenvolver novas soluções, com a internacionalização no horizonte.
Tecnologia reduz desperdício no têxtil
Também na indústria têxtil, a inovação tem sido um fator-chave para reduzir perdas. A utilização de inteligência artificial permite detetar defeitos em tempo real durante o processo produtivo, evitando desperdício e reduzindo custos.
Com sensores e câmaras instalados nos equipamentos, é possível monitorizar a produção e interromper automaticamente processos quando surgem falhas repetitivas. Além disso, a rastreabilidade dos materiais está a ser reforçada com sistemas digitais que acompanham todo o ciclo do produto.
Paralelamente, há empresas a desenvolver fios e peças de vestuário a partir de desperdício têxtil, contribuindo para reduzir o consumo de água e as emissões associadas à produção.
Resíduos que ganham nova vida
Na área da pedra natural, resíduos de pedreiras estão a ser transformados em peças de design, como mesas, vasos ou até banheiras. Este tipo de abordagem permite não só reduzir o desperdício, como criar produtos diferenciadores com valor acrescentado.
Já no setor do calçado, o plástico recolhido das praias portuguesas está a dar origem a sapatilhas e sandálias. Este modelo combina sustentabilidade com produção nacional e tem vindo a conquistar espaço tanto no mercado interno como no internacional.
Indústria aposta em materiais reciclados
Na indústria cerâmica, também se verificam avanços relevantes. Há unidades produtivas que já utilizam maioritariamente matérias-primas recicladas, reduzindo significativamente a necessidade de recursos virgens.
Além disso, a aposta em energias renováveis e processos mais eficientes contribui para diminuir o impacto ambiental, ao mesmo tempo que reforça a competitividade das empresas.
Inovação chega à captura de carbono
A economia circular em Portugal estende-se ainda à área da investigação. Um projeto em desenvolvimento pretende utilizar resíduos da indústria da pesca para criar materiais capazes de capturar e reutilizar dióxido de carbono.
Esta abordagem alia sustentabilidade e inovação tecnológica, abrindo novas possibilidades para a valorização de subprodutos que, até agora, tinham pouco aproveitamento.
Um caminho ainda com margem de crescimento
Apesar dos avanços, a economia circular em Portugal ainda enfrenta desafios. Uma parte significativa dos resíduos continua a ser encaminhada para aterro, o que representa uma oportunidade perdida em termos económicos e industriais.
Ainda assim, os exemplos existentes mostram que o caminho está a ser feito. À medida que mais empresas adotam este modelo, o desperdício deixa de ser apenas um problema e passa a ser um recurso com potencial para gerar valor, emprego e inovação.
Fonte: ECO Sapo
