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18 de fevereiro de 2026

Valorização de resíduos do peixe pode gerar lípidos saudáveis e sustentáveis

Foto em Unsplash

Estudo revela que a valorização de resíduos do peixe pode originar lípidos ricos em ómega-3 com aplicações alimentares, farmacêuticas e cosméticas.

A valorização de resíduos do peixe pode abrir novas oportunidades nas áreas alimentar, farmacêutica e cosmética, segundo um estudo da Universidade de Aveiro (UA). A investigação analisou subprodutos resultantes do processamento da pescada-do-Cabo (Merluccius capensis) e concluiu que estes materiais possuem elevado valor nutricional, ambiental e económico.

Posto isto, os investigadores avaliaram dois tipos de resíduos: aparas, compostas pela cauda e cabeça e resto provenientes do corte e filetagem. Ambos revelaram ser fontes ricas em lípidos bioativos, com potencial aplicação industrial.

Perfis lipídicos distintos, mas igualmente promissores

A investigação recorreu a técnicas avançadas de análise química para caracterizar os compostos presentes. Neste sentido, os restos resultantes do corte apresentaram maiores quantidades de proteínas, lípidos totais e determinados ácidos gordos, como o palmítico e o oleico.

Por outro lado, as aparas destacaram-se pela maior abundância de fosfolípidos, especialmente fosfatidilcolinas, moléculas essenciais para a estrutura celular e com diversas aplicações industriais.

Segundo o investigador João Monteiro, ambos os subprodutos apresentaram níveis semelhantes de fosfolípidos marinhos ricos em ómega-3, incluindo EPA e DHA, associados a benefícios para a saúde cardiovascular e cerebral. 

Os extratos lipídicos demonstraram ainda atividade anti-inflamatória significativa em ensaios laboratoriais.

Deste modo, os resultados reforçam o potencial da valorização de resíduos do peixe como estratégia de aproveitamento sustentável de recursos marinhos.

Alternativa sustentável às lecitinas convencionais

Um dos aspetos mais relevantes do estudo é a possibilidade de utilizar estes lípidos marinhos como alternativa às lecitinas tradicionais, geralmente obtidas da soja ou do ovo. 

Com efeito, os fosfolípidos extraídos dos subprodutos da pescada poderão integrar o desenvolvimento de alimentos funcionais e suplementos nutricionais, respondendo à crescente procura por ingredientes naturais, sustentáveis e com propriedades bioativas adicionais.

Neste contexto, a valorização de resíduos do peixe surge como solução alinhada com as exigências do mercado e com a necessidade de reduzir desperdícios na indústria.

Impacto ambiental e económico positivo 

A valorização de resíduos do peixe pode contribuir para uma indústria do pescado mais eficiente e circular. Ao transformar subprodutos em matérias-primas de elevado valor acrescentado, é possível reduzir desperdício, aumentar a eficiência produtiva e gerar novas oportunidades económicas.

Além do setor alimentar, os compostos identificados poderão ter aplicação nas áreas nutracêutica, farmacêutica e cosmética, graças às suas propriedades bioativas.

O estudo foi publicado na revista Applied Fodd Research e integra o projeto Pacto da Bioeconomia Azul, financiado pelo PRR, que promove inovação e sustentabilidade na indústria do peixe.

 

Fonte: TecnoAlimentar