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15 de março de 2024

Uso de água em adegas: métricas e circularidade

Foto em Unsplash

Este artigo explica como é feito o uso de água em adegas, através das técnicas usadas, bem como as métricas e a circularidade, desenvolvendo a questão hídrica do Mediterrâneo.

A água é um recurso cada vez mais escasso no mundo, provocando a urgência de implementar medidas urgentes de modo a corrigir desperdícios e ineficiências, de modo a diminuir a poluição e aumentar a poupança. 

Esta pressão emergente sobre os meios hídricos tem aumentado em todo o mundo, porém com maior incidência na bacia do mediterrâneo, uma vez que na região tem havido uma diminuição da pluviosidade, com temperaturas do ar mais altas que promovem a evapotranspiração e aumentos sazonais do consumo devido ao aumento das necessidades de rega na agricultura e à expansão da atividade turística.

Assim sendo, a água é um fator essencial para a produção de vinho, tanto na vinha, tanto na adega. Os países do Mediterrâneo apresentam ainda mais escassez do que os restantes, sendo que este recurso é particularmente escasso, tornando-se ainda mais importante poupar e reciclar.

Promover a circularidade na agro indústria moderna e na indústria do vinho é um tópico atual e que requer mais investigação. De modo a gerir a água nas adegas, salientam-se ainda algumas limitações por falta de sensorização adequada, falta de métricas, baixo custo do recurso água, ou por vezes devido a alguma falta de perceção/formação de gestores e colaboradores.

Este contexto empresarial pode favorecer uma gestão ineficiente da água e das águas residuais produzidas, as quais pela sua elevada carga orgânica, baixo pH e presença de detergentes dissolvidos são uma potencial fonte de poluição de solos e recursos hídricos. Além disso, a apresentação de um selo de sustentabilidade para os vinhos portugueses é já um requisito para acesso a alguns mercados externos e obriga a repensar objetivos e a otimizar práticas, na vinha e na adega.

As adegas têm características específicas e variadas (ex. tecnologia, capacidade instalada), o que torna difícil uniformizar a gestão da água. A produção de um litro de vinho pode gerar entre 0,3 a 14 L de água residual, dependendo do tipo produzido (branco ou tinto), do grau de implementação de boas práticas na adega e das caracteristicas da adega. Por outro lado, há ainda que adaptar os sistemas de tratamento implementados para permitir que a água residual tratada cumpra os requisitos de qualidade para a sua reutilização e valorização como fonte alternativa de água, promovendo a circularidade.

 

Fonte: Revista Voz do Campo, edição de março 2024