Como ler um rótulo de vinho: Saiba o que significa cada informação
consultoria Actus agro
O Terroir – Afinal o que é?
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25 de janeiro de 2023

Enoturismo na mais Alta Região Vitivinícola Portuguesa

É a centenas de metros de altitude, onde o inverno faz gelar os ossos e o verão torra a pele, que nascem vinhos com personalidade, gastronomia beirã e tradições que não se perdem no tempo.

Localizada no coração do interior centro de Portugal, a Região da Beira Interior é a região vitivinícola mais alta do país. Apesar de existirem vinhas nesta região há cerca de 2.000 anos, só a 2 de novembro de 1999 é que foi criada a Denominação de Origem Beira Interior, sendo o resultado da fusão das regiões de Castelo Rodrigo, Cova da Beira e Pinhel. Estas, apesar de se encontrarem separadas pela Serra da Estrela, Serra da Gardunha, Serra da Malcata e a Serra da Marofa, partilham características semelhantes. 

As vinhas estão plantadas em zonas de encosta ou planálticas, entre os 350 e os 750 metros de altitude e atravessam difíceis condições climatéricas e solos agrestes, que acabam por moldar os vinhos que ali nascem. 

As Adegas Cooperativas produzem grande parte do vinho da região, no entanto, cada vez mais, surgem no mercado vinhos de pequenos e médios produtores com grande potencial. As castas tintas mais cultivadas nesta região são a Tinta Roriz, Bastardo, Marufo, Rufete e Touriga Nacional. Nas castas brancas, as que mais se destacam são a Síria, Malvasia Fina, Arinto e Rabo de Ovelha. Esta é uma região que reúne excelentes condições para a produção de vinhos brancos frescos e tintos frutados e encorpados.

O solo agreste desta região distingue o vinho que é produzido, devido às grandes diferenças de altitude, relevo, humidade, temperatura, o que leva a diferentes terroirs. Os vinhos refletem o caráter desta terra tão peculiar: rosés, brancos e tintos firmes, sérios, elegantes e longevos.

A crescente preocupação com o meio ambiente, fez com que existisse uma maior procura de Vinhos Biológicos, que devido às condições desta região são ideais para a produção dos mesmos. O clima gélido funciona como “repelente” para qualquer bactéria ou micróbio, que deste modo, não crescem nas uvas. O clima seco, que também se faz sentir nesta região, faz com que algumas doenças das vinhas, como o míldio, não sejam uma preocupação para os produtores.

A diversidade existente nas sub-regiões, no que toca a aldeias históricas, castelos, monumentos, lugares arqueológicos, igrejas, solares e até mesmo os contrastes das serras, transmitem aos seus visitantes experiências culturais deixadas pelas pessoas que por ali passaram.

É possível afirmar que a Serra da Estrela assume um papel de extrema importância no panorama turístico da região, visto que é o único local do território nacional onde podem ser praticados desportos de neve, e onde nascem dois dos maiores rios portugueses, o Mondego e o Zêzere, que trazem consigo belas paisagens.

Juntando um bom vinho, uma gastronomia repleta de sabores e tradições a um património turístico de cortar a respiração, a região criou a Rota dos Vinhos da Beira Interior que engloba os seguintes municípios: Figueira de Castelo Rodrigo, Pinhel, Almeida, Guarda, Celorico da Beira, Sabugal, Covilhã, Fundão, Penamacor, Belmonte e Castelo Branco. Esta rota tem como intenção dar a conhecer as maravilhas da Região.

Na gastronomia beirã, são de destacar o cabrito assado, as trutas, os enchidos, o arroz de carqueja, o queijo da serra, o delicioso requeijão com doce de abóbora e os famosos enchidos, que enchem as medidas de quem os prova, sempre acompanhados com um bom vinho da região.