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20 de fevereiro de 2024

As alterações climáticas chegaram ao interior de Portugal

Foto em Unsplash

São aqui abordados os desafios que as alterações climáticas provocam no interior de Portugal.

Nos últimos 50 anos, os territórios do interior do país foram perdendo população, tornando-se mais envelhecidos, onde as aldeias, vilas e pequenas cidades ficaram mais vazias. Segundo dados dos Censos 2021, 20% da população concentra-se em 1,1% do território nacional, mais propriamente na região litoral.

Juntamente com o abandono progressivo do interior, existe o aumento da frequência de fenómenos climáticos extremos, que resulta, por exemplo, no crescimento dos incêndios florestais. 

Em 2022, o Sistema Europeu de Informação sobre incêndios afirma que arderam em Portugal continental mais de 100 mil hectares em resultado de cerca de 10 mil fogos, sendo que 55 mil hectares correspondem a floresta ardida, mais de 43 mil de mato e 11 mil de terras agrícolas.

Porém, as consequências das alterações climáticas no interior incluem também a agricultura, que pode ver a sua atividade prejudicada pelo progressivo aumento da escassez de água, pelo aumento das temperaturas e por danos frequentes nas culturas.

O Roteiro Nacional para a Adaptação 201000, recorreu a uma análise liderada pelo investigador Pedro Matos Soares, do Instituto Dom Luiz, que demonstra que no cenário mais gravoso, sudoeste de Portugal irá perder de 30 a 40% da chuva anual até ao final deste século.

É importante perceber o que tem sido feito até agora, a fim de combater as alterações climáticas no interior do país. Assim sendo, em 2021, a Assembleia da República aprovou a Lei de Bases do Clima que prevê a definição de planos de ação climática municipais e regionais, bem como  a fundação do Conselho para a Ação Climática.

De acordo com a associação Zero, em agosto de 2023, “a promulgação do decreto-lei que estabelece a sua composição, organização e funcionamento (Lei n.º 43/2023), com previsão de início da sua atividade no passado dia 1 de janeiro de 2024, o que já era tarde”. Apesar disto, a data não foi cumprida e não se sabe quando é que este órgão entra em funções efetivas.

Existe, deste modo, uma “falta de apoio por parte do governo central às autarquias”, fazendo com que exista a “impossibilidade de apresentação do plano por parte da maioria dos municípios”.

No entanto, existem bons exemplos, como é o caso de no ano passado o Alentejo se ter tornado na primeira região do país a apresentar um caminho de mitigação das consequências climáticas, que inclui 50 medidas para 10 setores. 

A Estratégia Regional de Adaptação às Alterações Climáticas prevê, entre outras iniciativas, o aumento de água no solo, a reutilização de água, rega eficiente, reforço da vigilância e ainda um programa de restauro ecológico.

Luís Dias, engenheiro do ambiente e investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, resume a três os principais desafios que as alterações climáticas representam para os territórios do interior: incêndios florestais, água e ondas de calor. A questão dos fogos, diz, “está muito relacionada com o despovoamento do interior e com o facto de a floresta não ser economicamente viável”. De acordo com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), 2022 foi o quinto ano com mais área ardida desde 2012. Ainda assim, os dados apontam que o investimento em prevenção e combate aos incêndios mais do que triplicou entre 2017 e 2022, quando atingiu €529 milhões.

Em cenários futuros de maior escassez de água, como os previstos pelos cientistas, este tipo de acontecimentos poderá tornar-se ainda mais frequente. Aliás, os estudos dizem mesmo que o atual risco de incêndio pode multiplicar-se por quatro.

As ondas de calor são outra preocupação. “No interior, há uma população muito mais envelhecida do que no litoral e essas serão as pessoas mais afetadas no que diz respeito a extremos de calor”, avisa Luís Dias.

 

Fonte: Jornal Expresso